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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

ViAgem de vEntaNia

... Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço....
Porque se chamava homem
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem....

"__ É de vento
tua alma de menina,
eu sei.                                                                                                                                                                                                                                                                      
Passeia pelas ruas
brincando em redemoinhos,
balançando as árvores,
cantando no ouvido das pessoas....
eu sei... eu sei ...  por isto eu fiquei assim... vendo você cada vez mais longe...
indo.. "
......

É que algumas vezes, somos surpreendidos , aqui e ali... por ondas, por caminhos.. por criaturas aladas... repletas de encanto ... e A beleza depende apenas dos olhos de quem a procura...
E fazia um certo tempo, já tinha quase esquecido... daquela sensação livre... que caia devagar ... quando avançava entre as alamedas...
Ia reparando nas cores... todas novas... aquele desbotado de antes ... era como mentira... que jamais se fez...

O céu completamente rasgado de azul... enquanto respirava , se deu conta... de como tudo havia mudado... a gatinha da casa da esquina, já não estava mais lá...
E de poucas coisas , tinha certeza na vida.

Tinha força no caminhar... e fé no seu caminho... sabia! ainda que tudo estivesse escuro  ... ela cantaria...
Cantaria porque tinha amor no peito... porque iluminava o caminho... e se hora ou outra algo lhe doía... cantando e seguia... sem esmorecer....

Era a mesma escolha Todos os Dias.
Abria os olhos.. pisava o chão frio ..
E dizia sim!

Ficava ali parada sob a ponte.. com sua resposta na ponta da língua.. esperando.
Ele nem sabia.

Nem sabia, que todos os dias, alguém lhe sorria um Sim.

E não que sua vida estivesse desesperadamente ruim.. não.. Era feliz.

Era só um sonho a mais.. uma delicadeza.. um jeito de perceber que ele conseguia ver sua poesia... e amá-la também.

Todos os dias .. ela estendia seu sim.. como um tapete diante de seu caminho.. e as horas corriam a passos largos..

Que coisa engraçada, o tempo....
... vai convencendo as pessoas das brevidades cotidianas... apagando sutilezas... escondendo pelos cantos o encanto ...
Acrescenta importância... acentua alguns detalhes  e datas.

Gostar de si mesmo algumas vezes é um ato de fé... e coragem.

... É alta noite
e tua alma rola na lua,
curiosa, travessa...
Salta de estrela em estrela
inquieta.
Dançando à vontade
onde mortais sentem vertigens.
Sem saber a quem pertence
ou aonde vai...
Sem forma fixa que limite
ou rosto no espelho...

É de vento
tua alma de menina,
dá voltas pelo mundo
sem saber que viver
é mais do que uma brincadeira.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

... sHattEreD mInD

‎"A noite de hoje está me parecendo um sonho.
- Mas não é. É que a realidade é inacreditável."




Por que sentia assim... por que apertava o peito e contraía o diafragma como se não existisse qualquer ar dentro dela... por que pensava na vida toda dela, naquele único dia ???


É verdade! A vida era esta mesma! 


Por que aquilo lhe puxava pra baixo como se uma âncora estivesse atado seus calcanhares?


Sentia-se humilhada. 
E guardava tudo dentro dela, trancado à sete chaves. Mas de repente tudo era tão urgente.
Muitos caminhos a sua frente.
E não sabia mais, exatamente, qual deles gostaria de seguir.


Questionava sua habilidade e talento, questionava se tinha feito a escolha certa ou se ainda restava tempo para voltar e recomeçar outra vez... 
... 
Pensava tanto.. até que exausta, soltava um sonoro e sincero "sei lá!" ... 


Tanto silêncio em mim.
Podia até soar descaso, mas não era não. Era só um amontoado de coisas..internas e externas...inseguranças e mais um bocado de coisas que não que  valeria a pena enumerar. 


Cozinhei, lavei pratos e panelas, fiz mais um chá de ervas verdes tomado agora as 22hs45... reparei as horas, fui pro banho... e enquanto a água muito quente batia nos ombros... me dei conta que tinha começado a chorar e repetir meio dementemente  "tudo-vai-passar-tudo-vai-passar"...
Talvez em parte o efeito de ter sofrido tamanha injustiça e aquela sensação presente e cada vez maior de humilhação... era um desgosto imenso com a idéia semi-destruída de sua carreira, e as pessoas esvaziadas e excluídas... 
E uma vontade esgotante de entender, de dar a volta por cima. 
 E uma solidão muito grande.
Doía os ossos dizer isto. 
Doía porque não era para parecer ingrata ... ou mal interpretada... não!
Tinha finalmente a família que sonhara tanto tempo. E era também feliz!!
Como era possível isto ????  A mente assim dividida ?????


Mas me olhava no espelho... e via dia a dia... 
Não fazia nada. Não tinha tempo se quer pra escrever meus diários... um dia engendrava o outro... e assim por diante.


E um dia quando andei por aí, levando  minha filha comigo,tudo era tão novo.
Me veio outra vez uma curiosidade pelo mundo.Um carinho pelas pessoas e aquela vontade de continuar viva, de lutar, de seguir.


Por isto também acho que estava evitando escrever... sabia que o vento sopraria e seria assim.


"Eu não sabia o que na madureza aprenderia: que todas as coisas quando acabam são substituídas por outras, que a vida não se reduz, mas cresce. E é em tudo um milagre."


(...) concluindo, seria preciso decretar, urgentemente, que o preconceito é doença, a infelicidade é proibida, e a burrice é crime inafiançável, amém."



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

de VereDas...

O sertão é dentro da gente. E esse sertão não é feito apenas de aridez e provocação, mas também de veredas, de estações de alívio e beleza em meio à solidão.


Mas dentro dela não era só sertão... era ventania solta.... inclinando a paisagem... erguendo pássaros...
... hora ou outra... quando parava sobre a ponte .. era capaz de dar a volta ao mundo sem sair de lá...

Pairava e planava.... distante.

Seu anseio era este.... que a vida fosse repleta de encantos feito estes.... que pudesse levar todos seus dons preciosos e delicadezas aquele lugar de encontro.

Aquele lugar de encantos e respostas... de descanso.

E como era grande o cansaço dela.
... o caminho era certo... o vento é quem lhe abria o caminho... Aquele vento impetuoso.. doce vento seu...

Brisa da tarde... Brisa antiga...
lhe acariciava a face e sorria...
Corria com ela.. entre as alamedas que agora seguiria...
... de Veredas... ou avenidas...

...que se abriam só pra ver a menina passar...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

FolHas de aLmA

Horrível, pensava, adivinhar mover-se nela aquele monstro brutal! 
Ouvir ramos estrelejando e sentir aqueles cascos nas profundezas dessa floresta cheia de folhas, a alma; nunca estar inteiramente alegre, nem inteiramente segura, pois a qualquer momento o animal podia estar movendo-se; 


Ódio que, especialmente depois da sua doença, fazia-lhe sentir um doloroso arrepio na espinha; 
Causava-lhe uma dor física, todo o prazer da beleza, da amaizade, do bem-estar, 


De sentir-se amada, de tornar a casa deliciosamente acolhedora, tudo vacilava e pendia, como se na verdade houvesse um monstro a roer as raízes, como se toda a panóplia do contentamento não fosse mais que amor-próprio!


E a sala tinha suas paixões e invejas e raivas e mágoas
a sobrepujá-la e encobri-la, como um ser humano [...]
TRavava a boca o silêncio de segredos insondáveis... e aqueles mistérios insolúveis que preenchiam seu estomâgo.....



Seu modo mais profundo de ser é que se queria captar
e converter em palavras, o modo que para o espírito
é o que é a respiração para o corpo, o que se chama
de felicidade ou infelicidade.



Mas ficava ali parada.... olhando o caderno farto de folhas... olhando o caminho diante dela : Aberto... 


Abriu o livro sobre o criado-mudo  e leu:




" Querido,

Tenho certeza de que estou enlouquecendo de novo.
      Sinto que não podemos passar por outra daquelas
terríveis fases. E desta vez não ficarei curada.
            Começo a ouvir vozes, e não posso me concentrar.
Assim, estou fazendo o que me parece melhor.


Você me deu a maior felicidade possível. Não creio
que duas pessoas pudessem ser mais felizes até
chegar esta doença terrível. 



Não consigo mais lutar.
Sei que estou estragando a sua vida e que sem
mim você poderá trabalhar. 

E você vai, eu sei. Está
vendo, nem consigo mais escrever adequadamente.
Não consigo ler. O que quero dizer é que devo a você
toda a felicidade da minha vida. Você foi absolutamente
paciente comigo e incrivelmente bom. 

Quero dizer isso —
e todo mundo sabe. Se alguém pudesse me salvar, teria
sido você. 

Perdi tudo, menos a certeza da sua bondade.
Não posso mais continuar estragando sua vida. 



Não creio
que duas pessoas tenham sido mais felizes do que nós fomos.

Virginia"



Não conseguia parar de repetir aquela última frase.... era perfeita... linda... 
toda a carta era linda... mas aquela frase tinha algo que desatava nela algum nó.


Tinha de ir andando, disse ela, erguendo-se.
Mas parou, como se fosse dizer alguma coisa; e ela indagava consigo qual a causa.Pois não estavam ali as rosas?(...)

Há uma dignidade nas pessoas; uma solidão; até entre marido e mulher, um abismo; mas que se devia respeitar, pensou ela,  vendo-o abrir  a porta; pois não se podia renunciar a isto, ou denegá-lo a um marido, contra a vontade deste, sem perder a própria independência, o respeito próprio; algo que não tem preço, em suma.(...)

Mas...mas por que se sentia de súbito, por alguma coisa que não podia tinar, desesperadamente infeliz? 



Como alguém que houvesse perdido uma pérola ou um diamante na relva e separa cuidadosamente as hastes, aqui, acolá, e busca em vão cavando afinal até as raizes, assim examinou uma coisa e outra; não, 
 ..... não, isso não lhe importava; 


 O que havia era um sentimento, algum desagradável sentimento, experimentado talvez pela manhã; alguma coisa que alguém lhe dissera, de mistura com certa predisposição sua, no quarto, ao tirar o sapato; 


 Trouxera as rosas. As suas flores! Era aquilo! 
Ambos a tinham criticado, tinham zombado injustamente dela, por causa das suas recepções, suas manias de dona de casa,


 Era aquilo! Era aquilo!
Bem, como iria ela defender-se? 

Agora que sabia do que se tratava, sentia-se perfeitamente feliz.
Era só silêncio fora dela.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

mAke it beTter!

(...)

Se Vinicius tivesse conhecido ela , diria assim:

Porque você é uma menina com uma flor nos cabelos, e só consegue dormir com minhas mãos sobre você.
E tem mãos tão pequenas feito a chuva e um dedilhar de menina.
Porque você enche os olhos de lágrimas quando vê uma árvore de natal.
E eu fico bobo olhando você.
Fico mais bobo ainda olhando você, perdida diante do coral de Natal , com seus olhos bem grandes iluminados.

Porque você é uma menina boba com uma flor nos cabelos, e tem ares de princesa... eu só poderia passar o resto da vida preso a você!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mar e ilha , Setembro.

Foi numa madrugada destas de outono que ela nascera.
 Era páscoa E seu pai ainda noutro andar foi capaz de ouvir o choro dela. De algum jeito reconheceu a voz de sua filha que acabara de nascer.
A enfermeira a repousou nos braços da mãe achando graça, no choro da menina, que franzia a testa já com feições e expressões.
Ela imediatamente silenciou.
Assim que seu pai entrou no quarto e a viu, tirou do bolso um presente que se pensasse direito não poderia , mas o fez, uma jóia com o nome da menina, que ele já amava tanto.
A mãe desde este primeiro encontro, não a tirou dos braços mais... era um ciúmes sem tamanho.. que lhe amarrava a garganta ... apertava contra o peito..

Pra que se possa entender um pouco mais dela, da menina, é preciso contar sobre seus pais.
Porque algumas vezes, um amor que seria imposssível... Improvavel como um peixe que se apaixona por um pássaro... se faz real.... e este mesmo amor.. é daquele mesmo tipo, falado aqui... não cabe numa vida...
Ele explode; e quase isto mesmo aconteceu naquela manhã nublada numa praia qualquer...
... quando seu pai caminhando viu pela primeira vez a mãe da menina....
O vento forte, o dia cinza, a areia úmida... Foi assim que a tempestade se apaixonou pela montanha.
E assim ela nasceu.. a menina...

Nos seus cabelos e nos seus pés tinha ventania... Ela gostava de roda, de poesia pra poesia tecia suas histórias, e ensaiva seus passos.. pra vida que viria.
O sol se escondia e caia manso entre as ondas do cabelo... nas mãos sempre um perfume... Mas ela não tinha nome de flor.

Ainda muito menina  recostava no braço direito de seu pai pra dormir  e eles conversavam horas.. Acho que foi ele quem a ensinou a falar... ela não gostava muito .. mas um dia seu pai gravou tudo.. tudo tudo que eles diziam.. e fez uma surpresa...
Pegou o radinho... e tocou sua fita... aqueles olhos verdes sorriram sem entender... de quem era aquela voz iinha inhaa ... até sua mãe achou graça do susto da menina...
... Ela gostava de desenhar o que amava... pegava sua mão, e deslizava... pelo rosto de sua mãe... uma mão... depois a outra... ia desfazendo rugas... separando linhas... ela gosta mesmo era desenhar sorrisos...
TOda noite no braço do seu pai... um dia ele reparou... naquelas mãozinhas... e disse pra menina que ninguém, nem mesmo a chuva tinha mãos tão pequenas quanto as suas...

E a menina foi crescendo... entre o chão de terra batida.. do quintal ao chão muito vermelho encerado... muito encerado de sua mãe...
Era tudo encantado... de manhã... seres alados invadiam sua janela verde de folhas abertas... disfarçados de poeira... passavam todos , um à um por ela.. lhe beijavam a face... serenavam nos cabelos...
E o entardecer ... sempre chamava seu nome... corria pra fora... o sol caindo devagar à se despedir...
... e vagalumes queridos... de repente... assim.... pipocavam... reluziam...

Antes de qualquer estrela.. antes mesmo de seus pais... É que eles precisavam garantir que a menina estava segura... foi seu pai ... foi ele quem mandou...

Ela gostava de ficar ali... esperando... Enquanto esperava .. sonhava.. e enquanto sonhava ..conversava...
... com o limoeiro.. com o que via quando olhava pra cima...
Um dia ela , a menina se enamorou de um destes vagalumes... e saiu quintal a fora.. pisando pedras... tentando seguir aquela pequena luz... até que o pirilampo cansado da brincadeira foi ao encontro da menina...

Ele pousou suave... ela o repouso entre as suas mãos, com cuidado ela nem conseguiu fechar a palma da mão mt pequena... ela colocou uma sobre a outra.. e entrou ... abriu um lugar na sua gaveta de coisas bonita... colocou o bichinho ali... pra ele dormir... uma tampinha qualquer com água... e ficou matutando, o quê um vagalume gosta de comer?? ...

Quem sabe!!?

Naquela noite ela adormeceu cedo, de manhã quando correu e abriu sua gaveta... o bichinho estava lá, morto.
Os ombro pesaram e ela escorregou até o chão, ficou ali parada bem quietinha... pensando no que tinha feito... que horror ... ficou ali parada.
O coração pulava... pulava... até que sua mãe a encontrou... pegou a menina pela mão... e lhe falou:

_ Não fique triste!! FOi por amor!! Olha, Ventania, ele podia ter ido embora... ele podia ter escalado esta roupinha... e esta e esta pra ir embora... mas ele não foi!! _

Mesmo assim , os olhos da menina ficaram presos no chão. Ahh não gostava que ninguém a visse chorar...
Aquela tarde ela sentou no último degrau da porta de entrada de sua casa... e chorou.
Ela olhou bem pra cima e chorou... tão sentida.. que não percebeu quando foi o sol embora... quando a noite caiu...
... ela percebeu aquele silêncio todo ... que vivia... e fez frio... ela sentiu nos pézinhos descalços... nos braços... no nariz...
o céu estava todo nublado.. achou que era chuva... mas a chuva não veio... foi então , assim... de supetão...

Ela se levantou , e foi então que começou a chover ..... pedaçinhos e pedacinhos  minúsculos... tão pequenos  quanto suas mãos ... de papel....

Ela esticou os braços... abriu a palma das mãos... pegou os pedaçinhos que pôde... e entrou sorrindo.
Os guardou naquela gaveta... numa caixinha.... Achou mesmo que era seu .... aquela poeira... vinda sabe-se lá....

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vento Solar



Vento solar e estrelas do mar 
A terra azul da cor de meu vestido 
Vento solar e estrelas do mar 

Você ainda quer morar comigo ??? 

Se eu cantar não chore não 
É só poesia 
Eu só preciso ter você por mais um dia 
Ainda gosto de dançar, bom dia, 
Como vai você? 

Sol, girassol, verde vento solar 
Você ainda quer morar comigo!!! 

Vento solar e estrelas do mar 
Um girassol da cor de meu cabelo 

Se eu morrer não chore não 
É só a lua 
É meu vestido cor de maravilha nua 
Ainda moro nesta mesma rua, 
Como vai você? 
Você vem, ou será que é tarde demais? 

O seu pensamento tem a cor de meu vestido 
Ou um girassol que tem a cor de meu cabelo! 

*** 
** 

"... O Sonho ... 

Quem contar 
um sonho que sonhou 
não conta tudo o que encontrou 
Contar um sonho é proibido 

Eu sonhei 
um sonho com amor 
e uma janela e uma flor 
... 
uma fonte de água e o meu amigo 
E não havia mais nada... 
só nós, a luz, e mais nada... 

Ali morou o amor 

Amor, 
Amor que trago em segredo 
num sonho que não vou contar 
e cada dia é mais sentido 

Amor, 
eu tenho amor bem escondido 
num sonho que não sei contar 
e guardarei sempre comigo..."

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Na Luz Fria do DIa...

Olhando para baixo em ruas vazias, tudo que ela pode ver
são os sonhos todos tornados sólidos
são os sonhos tornados reais

todos os edifícios, todos aqueles carros
eram apenas um sonho
na cabeça de alguém

Ela retrata o vidro quebrado, Ela retrata o vapor...
....que retrata uma alma...
.....sem nenhum escape .... sem nehuma  emenda

_Vamos trazer o barco para fora,  esperar até a escuridão ??????!!!!!!!!!
_ Vamos trazer o barco para fora ,  esperar até que a escuridão venha.....

Em nenhuma parte nos corredores de verde pálido e cinza
...em nenhuma parte nos suburbios
Na Luz fria do dia


Lá no meio de tudo, tão viva e só
As palavras suportam como ossos

Então ela sonha,
sonha com a rua da piedade ...
E usa o seu interior do lado de fora, 
Enquanto sonha com a rua da piedade...

...de novo nos braços do seu papai


Enquanto sonha ..

Jura que eles moveram esse sinal

De novo nos braços do seu papai..
...os beijos e afagos de sua gataPuxando para fora dos papéis das gavetas que deslizam ...
... rebocando a escuridão :::

Palavra por palavra!!!!

Confessando todas as coisas secretas 
Confessando na morna caixa de veludo, seus tesouros escondidos....

Sonhar com a ternura --o tremor 
Ao beijar os lábios de quem tanto lhe amaria!!!!!!!!!

Então sonha,
.....procurando por piedade nos braços do seu papai

piedade, piedade, procurando por piedade


Sonhando, 
singrando a água
singrando as ondas no mar


ELa se FOi!
ELa se vai.... 


E o mundo vai amanhecer,
e a vida vai amanhecer...  ...


">

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Agora eu era eu!

Quando ainda era menina... e não sabia nada sobre a vida...
.... pensava que as horas seguiam sempre muito arrastadas... seus dias pareciam anos...
Pesavam como anos... todas aquelas horas... em que esteve a esperar..

E era sempre assim que parecia estar, à espera.
Esperava pelo dia em que um grande amor lhe alcançaria...
... pelo dia em que seria assim, tão amada...

ESperava que sua vida começasse... assim...
De hora pra outra.

Enquanto isto ela pendia na janela verde, aberta....
vendo a noite caindo caindo... e tudo que iluminava o que via.... cada detalhe, do quintal de terra batida ganhava vida.... e ficava mais bonito...

E agora ,pensando bem, tal como antes... percebia que ainda era pouco....
Que ela toda... devia ser mesmo tão pouco...
Era Translúcida e um segredo... ninguém sabia que estava lá!
A esperar!

Passara seus dias sem ser amada por ninguém... sem ter conhecido coroa... e até mesmo agora...
... quando entendia, que em breve partiria... pensava com pesar...
Um belo dia o mundo amanheceria....
... o azul do dia abriria todas as janelas... e ela já não estaria...
E assim no outro dia e no  outro... e no outro...

Ahh como era dolorido  o peito hoje!
Como era escancarada a ferida que tinha!!!

Não ninguém choraria , ou se despediria.

sábado, 22 de maio de 2010

in the City... of blinding lights...

Se eu morresse amanhã,
eu levaria o gosto de muitas venturas.... e ventanias
Levaria alegrias infindas das serestas da mocidade, dos arpejos do meu violão  
e das canções que eu entoava com alma... 


Levaria a lembrança de bailes inesquecíveis, que eu nunca fui. 
da leveza de meu corpo deslizando , 
como se embaixo de meus pés sequer houvesse chão...     
... e Acredito... chão não existia....


Levaria o prazer das caminhadas matutinas pelos campos da minha terra, pelas alamedas da cidade que é minha
recebendo o beijo do sol, das árvores, 
das nascentes ao som da sinfonia de passarinhos, 
folhas farfalhando ao vento  
e o aroma inconfundível da natureza pura, intocada... 
 

Como eu! 

Ah! levaria também o nascer do sol dourando a praia ... 
e de todas as vezes que este espetáculo, pela rara formosura, 
me fez chorar... 
 
Levaria gravado no espírito, 
o conhecimento dos muitos livros inspirados  ... 
que me chegaram às mãos e que vieram me falar ...  TOda e Cada REleitura Minha... 

...todos os que me são Queridos... todos que contornam meu raro Perfil...

   
Levaria a lembrança dos amores que tive  
e não me pesa agora, saber que amada eu fui poucas vezes,  
mas importa saber que todas as vezes que o amor bateu na minha porta , 
a ele eu me entreguei por completo, sem nenhum medo de amar ... 
 

Algumas vezes com medo sim, confesso... MAs em todas estas fui vencida por algo maior...

Levaria o carinho e a fidelidade dos poucos amigos e amigas  
que fiz e de tudo o que, ao longo dos anos, pudemos compartilhar... 
 
Levaria recordações incríveis da minha infância  
e do carinho inigualável que permeou meu primeiro lar... 


Levaria a suprema ventura da maternidade... seu eu pudesse... Se a idéia dele sobrevivesse...

     
Levaria gratidão infinda pelo meu  
trabalho que a princípio, me pareceu desdita...  
eu, dada às letras e à dança, lidando com números por décadas a fio  
e, pela incompatibilidade, fazendo esforços de monta para me adequar... 
mas reconheço, não houve escola melhor do que esta para na arte da vida, me adestrar. 
 
Percalços?

Os tive, sim . 
Por vezes incontáveis vi-me derrotada, sentada à beira do caminho  
e porque não dizer, estirada ao chão ...  
mas se eu morresse amanhã eu levaria a mais absoluta convicção  
de que, uma "força" muito além das minhas próprias forças, sempre cuidou de me levantar. 
       
Mas, se eu morresse amanhã,  
morreria abençoando a Vida e 
cada instante deste precioso ano !!!



AS bem Aventuranças minhas... as músicas minhas... todos os detalhes...
O Estádio iluminado de esqueiros... de celulares... como vagalumes...


As vezes que chorei de Alegria .. de amor.. 
quando as notas da guitarra saltaram no meu peito... 
.. ou diante do Coral de Natal... 
..num dia de semana qualquer... numa Avenida qualquer... 


Vai ventando o mundo... 
Vai varrendo ruas... vai ...
Vai levando embora ... vai...
Vai espalhando perfume... 
Vai te levando pra longe... devagar... vai....
Vai deixando pra trás... 
... caminho ... raio de sol.. 


Não, não fui capaz de permitir que me amasse...  
Eu sei