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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

How

Esqueci o sonho, o relâmpago, o trovão,
a chuva, o vento assobiante até mais não.
Esqueci o sol, o vento, os passos,
as lutas de dentro, as letras em laços... os intrincados nós.

Esqueci o dançar, o violino, a melodia,
e também o sempre eterno presente que se adia.
Numerosas noites adormeci sem pensar
que a Alma e o dentro poderiam perdurar.

Assim esqueci tudo aquilo que me rodeia
Fugindo, perspicaz, me ESQUECIA..

Esqueci hoje o dia, esqueci-me de olhar.

Esqueci de escrever, esqueci de respirar.

E assim, aflita, para que continuasse a viver
Foi preciso que chegasse e não me fizesse esquecer.
* *
E eu
Olho para os pés... a curva acentuada...

... Filha dos passos desnecessários que persistem na memória, torna-os curvos e esguios, conferindo-lhes um aspecto quase frágil.
É aqui que persisto, que a luta contra a gravidade se torna a luta incessável dos dias que morrem em fila, ordenados.
Olho os pés como quem olha uma escultura. A forma da carne, dada pela maneira como se veste nos ossos, parece esculpida por uma história de passos.
Os que foram dados, e tantos que ficaram por dar. Contemplo.
É quase como se o olhar pudesse quebrar tanta fragilidade... E no entanto é a fragilidade que segura e suporta, a fragilidade de um pilar.
 Gostaria de aparentar fragilidade e, ainda assim, ser pilar?..

( fardo dolorido de uma vida inteira, tão curta... tão breve...)

Há quanto tempo não ouvia a música.
E agora soltava-se por entre os cabelos e sentia as notas cravadas no coração aberto.
Não o coração aberto metafórico, mas sim o coração aberto visceral.
Com muito sangue e pausas de dor.

Por isso é que as pausas têm tempo.
Por se poderem transformar numa solidão interior, num eterno e ritmado dilacerar da carne rasgada.

Antes a música ía e vinha... ía e vinha... Até que um dia foi, e o caminho enrolou-se atrás da última pegada.
Agora não era um mero ondular, não era suave. A música chegava violentamente, atacando o corpo despido de qualquer defesa, que a cada nota, a cada som, a cada timbre, se entregava, sem se importar em saber qual seria o toque final.

E o toque final não vinha. E o corpo quase terminava antes da música, em luta com o ritmo, com a vibração do som.

A música chegava agora de modo insuportável.
Sobrepunha-se aos gritos mudos.
Em silêncio...Ali  Parada!!

Presa!! Encerrada atrás do volante.

Era o coração que arrancava dela a própria vida.
Precisava morrer um pouco mais e outra vez...

***
ERa capaz de se ver ali novamente, naquele parapeito debruçada... só porque lhe agradava a paisagem.

Só não sabia dizer de si mesma...
Porque ninguém se importa, ninguém te vê... porquê você se põe a lutar, correr, brigar violentamente contra a vida ou o tempo.. numa ânsia desenfreada de viver! De garantir que seu maior bem viva.. de garantir que ela tenha valores tão grandes... imensos.. capazes de lhe guiar até nos momentos mais escuros...

E apesar disto tudo... quem é você ? Qual seu valor nesta vida ???

SEi lá.
http://youtu.be/k9fwMSOzijQ

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

To pUt iT AwAy....

" ....To look life in the face,..... always,
... to look life in the face and to know it for what it is.


.... At last to know it, to love it for what it is, and then, to put it away."




ERa um daqueles presságios seu, só poderia ser! 
Um dia de tanto frio em novembro... 


FOi assim que todas as grandes perdas de sua vida aconteceram...as grandes mudanças também! 
Não era assim tão pessimista à ponto de converter tudo que a resumia em lágrimas.


Ela era natural!
Assim como era da natureza do tempo.... que fizesse dias de sol... e dias de chuva.... para que nada padecesse ... 


Era honesta e simples o bastante para aceitar esta verdade absoluta de si!


Vivera sempre arrebatada... por ondas e ondas profundas, caudalosas....
ao passo que arrebatava algum olhar... ....  Seus encantos também eram mistérios....  


E especialmente naquele instante.... sentia se apagar... sentia que tinha chegado ao final de tudo.


Dos sonhos e  sabe-se lá se da própria vida.... 
Mas vivia!!
...Sem entender o porquê... 


Procurava vestir seu sorriso mais bonito... 


Quando se deu conta ... do cansaço estampado no rosto!
Do quanto estava exausta... e com razão... e como seus ombros pesavam... 
Pendiam ao chão... desoladas súplicas ... insuficientes pedidos de perdão....


TInha o peito escancarado... e nada nas mãos!