Porque algumas vezes o silêncio também é terapia...
Não que não exista nada a ser dito.. mas certas coisas pesam demais.
Ainda não encontrei meu lar.
Nem ruas ou alamedas para chamar de minha!
Mas sou capaz de tecer poesia, na música e beleza .... pelos olhos redondos e castanhos da minha filha ... que lembram tanto os olhos do meu pai.
Sou capaz de amar a Simplicidade , a Compaixão.
Nisto sim.. me largo.
Enquanto passo longe do amargor, da queixosa predileção seletiva
Respiro.
Leveza!
Me Dê Leveza, D'us!
Leveza!!! E Esperança!!!! !
...
"...
Antes que venham ventos e Me levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.
Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos Meus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.
Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de meu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.
Uma cidade
onde possas cantar quando o peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde possas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.
Uma cidade
onde possas achar, rútila e doce,
a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.
Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.
Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.
Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.
É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.
Thiago de Mello ""
Foi o conselho do poeta !!!!
Que completou minha súplica !
E estancou meu silêncio!!!!
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Sei lá o quÊ
"Há nela uma sede de infinito,
uma angústia constante que nem ela mesma compreende. Pois esta longe de ser uma pessimista; e é antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada.
Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade; sei lá de quê!"
Estou triste hoje.
Um num sei quê... que me joga pra baixo!!
Eu adulta, mãe, engenheira... ainda me deixo abater por coisas pequenas!
E como é ruim esta descoberta!!!
Olho pro documento aberto numa janela... olho pro relatório aberto na outra.. A tela dividida ! E meu pensamento longe.
Na estrada.
O caminho para cá me revigora... é linda a paisagem .. e hoje eu vi algo tão lindo!!!
Um cavalo... correndo... lindo.. ao vento sua crista!!
O que chamou minha atenção não a imponência dele.. correndo pelo campo verde.
MAs olhando pra ele me perdi.. sou capaz de jurar que senti seu coração bater!!!!
Pensei comigo: Liberdade!!! Felicidade!!! Correr assim... ventania!!!
Segui meu caminho... mas o pensamento ficou lá atrás.
E ainda agora... a visão.
Não conseguiria terminar minhas tarefas... Das duas uma: Ou eu sairia porta a fora.. a correr desembestada ( quem dera pudesse!) ou me colocaria a escrever !
Eis me aqui.. a escrever!
Só fico pensando, "Quanta bobagem!"... "que boba, eu!"
Lembro da delicadeza, da poesia.. e respiro
Não te deixes destruir..."... _Que coisa mais linda da Cora .. -Que nome lindo, este Cora!! ..."
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
* * *
O pensamento não para! Impossível concentrar.. sem distorcer.. sem ir pro lado.
E aqui estou, cantando, escrevendo.
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.
Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
Pois aqui estou, cantando.
Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?
Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
Não posso!?? Não poderia ?
Quem amaria isto?
Sozinha de tudo tudo que tinha na vida. Virei um nada!
REluto, e resisto , como uma coisinha selvagem que não se deixa domar.
Me recuso a criar ilusões... a me encaixotar em padrões... Sou natural...
Se estou triste, estou, ponto final. Sim.. há dias de sol.. há dias nublados.. Tempestades violentas... garoa!
Este sorriso engessado que vejo nas fotos... a necessidade de auto afirmação, de demonstrar estar sempre bem.. que a vida é perfeita.. que não falta nada!! Isto não é humano. Não se vive apenas de dias de Sol!!!
O Belo é natural.
A certeza nas mãos... o sonho com rótulo e endereço. Ainda!
Aquilo na garganta que hora ou outra soluçava/
Alguma coisa dentro dela lhe dizia, Que era isto!!! A Vida tinha lhe Bastado!
A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
****
Sei é só hoje... isto passa!!
Vai passar!!
domingo, 13 de maio de 2012
Passarinho.
"Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, doi demais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha?
Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar."
Queria escrever algo tão doce e delicado quanto o modo como minha filha abre e fecha as mãos... agora que as encontrou... e descobriu como se despedir de quem se ama.... ou como chamar pra bem perto quem é amado também....
... e fiquei pensando, pensando... a tela em branco... "ainda preciso trabalhar!" _ penso.
Duas telas em branco.
Mas decidi começar por aqui... falando da delicadeza dos movimentos dela.. e do sorriso que enche a casa de vida ....
Que encheu minha vida de vida!
E se eu tinha alguma dúvida sobre o que era amar e ser amada ... hoje só tenho certezas.
Certeza que Deus existe... e que milagres acontecem... é verdade!!
Certeza que tudo passa... e que a vida se refaz... sempre com força dobrada e beleza tanta ...
Que felicidade é isto...
Saber disto tudo.
A certeza desafiadora de que a primavera chegaria, mesmo que ninguém mais soubesse o seu nome, nem acreditasse no calendário, nem possuísse jardim para recebê-la....
Para minha filha, minha doce Ana Beatriz, tenho tecido sonho e contos de fadas... estou empenhada em lhe dar asas...
... Quero que ela habite esta esfera dourada como eu...
E correr com ela pelo quintal, descalças e rodopiar...
... quero que o seu pai lhe conte histórias onde ele sempre será o herói... que a salva no final...
... quero que o meu pai lhe conte histórias de um tempo antigo, da família e de amigos... quero que ele conte tudo que um dia me contou sobre o meu avô...
Quero construir cabanas de lençóis e travesseiros... brincar de esconderijo... e ensiná-la a desenhar.
Ensiná-la a desenhar estrelas.... recortar e colar pelas paredes do quarto!!!!
Quero levá-la para caminhar com os pés sobre os meus...
Todos os dias, tenho um sonho novo... desta vida que amo... da família que tanto desejei.
Hoje eu ganhei pérolas do meu marido e, me deu tanta vontade de chorar... chorar de amor, de recomeço, de gratidão.... chorar de sonho!!
Sabe o que é isto!!?? Esta sensação de plenitude, e amor imenso .
Chorar de certezas!
Que Deus nos dê asas... e encha nossos caminhos de ventania... para ir além...
....
*ANa BeaTriz e seu amigo Porco Bel *
quinta-feira, 19 de maio de 2011
nO surPrises..
Era tudo que tinha... aquelas palavras soltas.... aquele jeito de amanhecer... dentro dela..
Quando D-s lhe disse que haveria vida.. e não morte... que seu caminho seria luz e não trevas, talvez não tivesse compreendido por completo.
Batia dentro dela dois corações...
Tinha imaginado diferente... que a esta altura estaria mais tranquila, serena... e que não a magoaria. Não era egoísmo a vontade de saber qual rumo sua vida levava... Tinha esta preocupação, sobre as coisas que deveriam voltar ao seu estado normal... e em quanto tempo isto aconteceria...
Queria saber um pouco mais.
Queria um pouco mais de romance... e um pouco mais de paz...
Precisava que alguma coisa desse certo... naquele instante... e que o tempo passasse rápido...
Tinha tanto anseio de ter nos braços aquele pedacinho tão amado seu.
sábado, 14 de agosto de 2010
Coração DEsnuDo!
... O que anda acontecendo com o mundo!???
.... com as pessoas... e comigo ???????????
Voltava pra casa ontem quando vi aquele moço com as pernas mirradas sentado no chão... no frio... duas pessoas em volta dele.. e ele olhando pro chão.. como criança repreendida...
E meu olho encheu de lágrima... me deu aquela vontade de chorar .. de ir até ele.. E pensei, no que eu poderia fazer, pra ajudar... o que eu poderia fazer??
Nada! Caçei a carteira.. sem trocados... sem moedas... era nada mesmo!!Que podia oferecer!!
E aquele desamparo todo!!!
Aquela tristeza. .. todo aquele abandono.. me doeu tanto o peito!
Desci as escadas pro metrô , com algumas lágrimas de segredo no cantinho.
Fui pedindo a Deus! Fui entendo... o significado .. quando agt ora e pede um coração igual ao dEle...
... Compaixão Desmedida... o que foi feito da criação... no que tem se resumido a vida e os dias...
Há esperança !?? Ainda há remédio?? Existe Bálsamo pra curar feridas???????!!!!!!!
*********************
" Há saudades que caminham comigo aconchegadas num lugar gostoso que a memória tem. Sei que estão lá, mesmo quando demoro um bocado de tempo para apreciar as histórias que me contam. São porta-jóias que guardam encantos que não morrem. Caixinhas de música que, ao serem abertas, derramam melodias que me fazem dançar com elas de novo. São saudades capazes de amenizar o frio de alguns instantes com os seus braços de sol.
Mas existem também saudades que pousam no meu coração de vez em quando e ficam de lá me olhando com aquele olho comprido do que quer escuta. Não falam de lugares, pessoas ou épocas da minha vida. São espelhos que não refletem feições conhecidas. São saudades que entornam perfumes que somente a alma reconhece. Que sobrevoam regiões por onde apenas as emoções caminham. Que destampam ausências que a gente algumas vezes prefere ignorar.
São saudades de um mundo que tem cheiro de quintal lá da infância da gente. Que é macio para todos os seres que nem lençol recém-trocado. Que tem o timbre de voz amada quando toca o nosso ouvido. Um mundo bacana onde as pessoas têm clima de passeio. Onde não existem armas, visíveis ou não. Onde a gente vive com o sentimento de estar brincando de roda uns com os outros: um único tombo é capaz de afetar a roda inteira.
São saudades de um mundo contente feito céu estrelado. Feito flor abraçada por borboleta. Feito café da tarde com bolinho de chuva. Onde a gente se sente tranquilo como se descansasse num cafuné. Onde, em vez de nos orgulharmos por carregar tanto peso, a gente se orgulha por ser capaz de viver com mais leveza. Um mundo onde as pessoas confiam umas nas outras, não pode ser de outro jeito se estamos em família na humanidade. Um mundo onde a culpa deixou de ser uma desculpa para não sermos felizes. São saudades de um mundo onde o respeito não tem cheiro de mofo: todos somos iguais e todos somos diferentes e isso é claro, natural e indiscutível.
São saudades de um mundo que lembra a pureza de amarelinha desenhada com giz no pátio da escola. Que lembra a alegria de chegar no céu quando a gente pulava amarelinha. Que lembra a melodia gostosa da risada do amigo. Saudades de um mundo sem hipocrisia. Sem disse-me-disse. Sem jogo. Ninguém quer ferir ninguém, por nenhum motivo. As boas intenções são mesmo boas. Há em cada pessoa um cuidado, um bem-querer, um zelo amoroso, com relação a todas as outras, a todos os seres, porque essa é a natureza do coração humano. Um mundo onde todas as formas de vida são abençoadas por todas as formas de vida.
São saudades de um mundo onde a gente pode falar de coisas inocentes sem temer parecer ridículo. Onde podemos ser sensíveis e expressar a nossa sensibilidade sem sermos olhados como vítimas de uma doença grave. Onde existem mais diálogos que chamam o coração pra conversa e criam pontes do que os monólogos internos feitos de achismos que só sabem aumentar distâncias. Saudades de um mundo onde a busca pelo conforto da alma é tão necessária quanto a busca pelo conforto do corpo. Onde podemos caminhar pelas ruas, descontraídos, sem temer ser atacados por outro ser humano. Um mundo no qual, em vez de propagar o medo, as pessoas utilizam a sua energia para propagar o amor. Saudades de um mundo que às vezes eu sinto tão intensamente que já parece de verdade. Já parece existir, de algum jeito. Um mundo no qual habito toda vez que eu o vejo.... "
Da AnInha JáComo!
.... com as pessoas... e comigo ???????????
Voltava pra casa ontem quando vi aquele moço com as pernas mirradas sentado no chão... no frio... duas pessoas em volta dele.. e ele olhando pro chão.. como criança repreendida...
E meu olho encheu de lágrima... me deu aquela vontade de chorar .. de ir até ele.. E pensei, no que eu poderia fazer, pra ajudar... o que eu poderia fazer??
Nada! Caçei a carteira.. sem trocados... sem moedas... era nada mesmo!!Que podia oferecer!!
E aquele desamparo todo!!!
Aquela tristeza. .. todo aquele abandono.. me doeu tanto o peito!
Desci as escadas pro metrô , com algumas lágrimas de segredo no cantinho.
Fui pedindo a Deus! Fui entendo... o significado .. quando agt ora e pede um coração igual ao dEle...
... Compaixão Desmedida... o que foi feito da criação... no que tem se resumido a vida e os dias...
Há esperança !?? Ainda há remédio?? Existe Bálsamo pra curar feridas???????!!!!!!!
*********************
" Há saudades que caminham comigo aconchegadas num lugar gostoso que a memória tem. Sei que estão lá, mesmo quando demoro um bocado de tempo para apreciar as histórias que me contam. São porta-jóias que guardam encantos que não morrem. Caixinhas de música que, ao serem abertas, derramam melodias que me fazem dançar com elas de novo. São saudades capazes de amenizar o frio de alguns instantes com os seus braços de sol.
Mas existem também saudades que pousam no meu coração de vez em quando e ficam de lá me olhando com aquele olho comprido do que quer escuta. Não falam de lugares, pessoas ou épocas da minha vida. São espelhos que não refletem feições conhecidas. São saudades que entornam perfumes que somente a alma reconhece. Que sobrevoam regiões por onde apenas as emoções caminham. Que destampam ausências que a gente algumas vezes prefere ignorar.
São saudades de um mundo que tem cheiro de quintal lá da infância da gente. Que é macio para todos os seres que nem lençol recém-trocado. Que tem o timbre de voz amada quando toca o nosso ouvido. Um mundo bacana onde as pessoas têm clima de passeio. Onde não existem armas, visíveis ou não. Onde a gente vive com o sentimento de estar brincando de roda uns com os outros: um único tombo é capaz de afetar a roda inteira.
São saudades de um mundo contente feito céu estrelado. Feito flor abraçada por borboleta. Feito café da tarde com bolinho de chuva. Onde a gente se sente tranquilo como se descansasse num cafuné. Onde, em vez de nos orgulharmos por carregar tanto peso, a gente se orgulha por ser capaz de viver com mais leveza. Um mundo onde as pessoas confiam umas nas outras, não pode ser de outro jeito se estamos em família na humanidade. Um mundo onde a culpa deixou de ser uma desculpa para não sermos felizes. São saudades de um mundo onde o respeito não tem cheiro de mofo: todos somos iguais e todos somos diferentes e isso é claro, natural e indiscutível.
São saudades de um mundo que lembra a pureza de amarelinha desenhada com giz no pátio da escola. Que lembra a alegria de chegar no céu quando a gente pulava amarelinha. Que lembra a melodia gostosa da risada do amigo. Saudades de um mundo sem hipocrisia. Sem disse-me-disse. Sem jogo. Ninguém quer ferir ninguém, por nenhum motivo. As boas intenções são mesmo boas. Há em cada pessoa um cuidado, um bem-querer, um zelo amoroso, com relação a todas as outras, a todos os seres, porque essa é a natureza do coração humano. Um mundo onde todas as formas de vida são abençoadas por todas as formas de vida.
São saudades de um mundo onde a gente pode falar de coisas inocentes sem temer parecer ridículo. Onde podemos ser sensíveis e expressar a nossa sensibilidade sem sermos olhados como vítimas de uma doença grave. Onde existem mais diálogos que chamam o coração pra conversa e criam pontes do que os monólogos internos feitos de achismos que só sabem aumentar distâncias. Saudades de um mundo onde a busca pelo conforto da alma é tão necessária quanto a busca pelo conforto do corpo. Onde podemos caminhar pelas ruas, descontraídos, sem temer ser atacados por outro ser humano. Um mundo no qual, em vez de propagar o medo, as pessoas utilizam a sua energia para propagar o amor. Saudades de um mundo que às vezes eu sinto tão intensamente que já parece de verdade. Já parece existir, de algum jeito. Um mundo no qual habito toda vez que eu o vejo.... "
Da AnInha JáComo!
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