Esqueci o sonho, o relâmpago, o trovão,
a chuva, o vento assobiante até mais não.
Esqueci o sol, o vento, os passos,
as lutas de dentro, as letras em laços... os intrincados nós.
Esqueci o dançar, o violino, a melodia,
e também o sempre eterno presente que se adia.
Numerosas noites adormeci sem pensar
que a Alma e o dentro poderiam perdurar.
Assim esqueci tudo aquilo que me rodeia
Fugindo, perspicaz, me ESQUECIA..
Esqueci hoje o dia, esqueci-me de olhar.
Esqueci de escrever, esqueci de respirar.
E assim, aflita, para que continuasse a viver
Foi preciso que chegasse e não me fizesse esquecer.
* *
E eu
Olho para os pés... a curva acentuada...
... Filha dos passos desnecessários que persistem na memória, torna-os curvos e esguios, conferindo-lhes um aspecto quase frágil.
É aqui que persisto, que a luta contra a gravidade se torna a luta incessável dos dias que morrem em fila, ordenados.
Olho os pés como quem olha uma escultura. A forma da carne, dada pela maneira como se veste nos ossos, parece esculpida por uma história de passos.
Os que foram dados, e tantos que ficaram por dar. Contemplo.
É quase como se o olhar pudesse quebrar tanta fragilidade... E no entanto é a fragilidade que segura e suporta, a fragilidade de um pilar.
Gostaria de aparentar fragilidade e, ainda assim, ser pilar?..
( fardo dolorido de uma vida inteira, tão curta... tão breve...)
Há quanto tempo não ouvia a música.
E agora soltava-se por entre os cabelos e sentia as notas cravadas no coração aberto.
Não o coração aberto metafórico, mas sim o coração aberto visceral.
Com muito sangue e pausas de dor.
Por isso é que as pausas têm tempo.
Por se poderem transformar numa solidão interior, num eterno e ritmado dilacerar da carne rasgada.
Antes a música ía e vinha... ía e vinha... Até que um dia foi, e o caminho enrolou-se atrás da última pegada.
Agora não era um mero ondular, não era suave. A música chegava violentamente, atacando o corpo despido de qualquer defesa, que a cada nota, a cada som, a cada timbre, se entregava, sem se importar em saber qual seria o toque final.
E o toque final não vinha. E o corpo quase terminava antes da música, em luta com o ritmo, com a vibração do som.
A música chegava agora de modo insuportável.
Sobrepunha-se aos gritos mudos.
Em silêncio...Ali Parada!!
Presa!! Encerrada atrás do volante.
Era o coração que arrancava dela a própria vida.
Precisava morrer um pouco mais e outra vez...
***
ERa capaz de se ver ali novamente, naquele parapeito debruçada... só porque lhe agradava a paisagem.
Só não sabia dizer de si mesma...
Porque ninguém se importa, ninguém te vê... porquê você se põe a lutar, correr, brigar violentamente contra a vida ou o tempo.. numa ânsia desenfreada de viver! De garantir que seu maior bem viva.. de garantir que ela tenha valores tão grandes... imensos.. capazes de lhe guiar até nos momentos mais escuros...
E apesar disto tudo... quem é você ? Qual seu valor nesta vida ???
SEi lá.
http://youtu.be/k9fwMSOzijQ
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013
domingo, 24 de junho de 2012
Pareceria Primavera...
"Também já não tenho aquelas queixas infantis, na base do "tudo dá errado pra mim", ou autopunições como "eu sou uma besta, faço tudo errado". Nada é errado, quando o erro faz parte de uma procura ou de um processo de conhecimento."
Pensar nele fazia com que ela tivesse vontade de cuidar de si mesma – então era bom.
Guardando, guardando, feito jóia. Precioso, delicado. (…)
As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa - pensava.
Se perdia nas palavras que lia... e concordava com um balançar de cabeça resignado....
..." Esse vício de eternidade que a gente tem!! "
ERa viciada nisto.
(...) quem tem, afinal, o poder de salvar o outro de seus próprios abismos?
Nada, ninguém.
Não se conserta uma pessoa como se conserta uma casa!
É verdade.
Fé era isto também! Amor era isto !
Aceitação... entender os limites do outro... respeitar as angústias e se possível dissipá-las...
Ela tentava se abstrair da sua lente romântica , dourada, e encarar a vida de forma racional, desta forma ponderada e sensata que todo o resto do mundo espera que você faça.... Mas soava tudo da boca pra fora.. em vão...
Por dentro sentia outra coisa.. desejava outra coisa... respirava além...
A vida , as pessoas são assim!
ALgumas não! Não ela!
Precisava ser.
Levantou aquela manhã, olhou seus olhos um tanto cansados no espelho... e ainda estava lá...
(...) vontade de benzer-se pedindo proteção, Afasta de mim, Deus...
Pensar nele fazia com que ela tivesse vontade de cuidar de si mesma – então era bom.
Guardando, guardando, feito jóia. Precioso, delicado. (…)
As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa - pensava.
Se perdia nas palavras que lia... e concordava com um balançar de cabeça resignado....
..." Esse vício de eternidade que a gente tem!! "
ERa viciada nisto.
(...) quem tem, afinal, o poder de salvar o outro de seus próprios abismos?
Nada, ninguém.
Não se conserta uma pessoa como se conserta uma casa!
É verdade.
Fé era isto também! Amor era isto !
Aceitação... entender os limites do outro... respeitar as angústias e se possível dissipá-las...
Ela tentava se abstrair da sua lente romântica , dourada, e encarar a vida de forma racional, desta forma ponderada e sensata que todo o resto do mundo espera que você faça.... Mas soava tudo da boca pra fora.. em vão...
Por dentro sentia outra coisa.. desejava outra coisa... respirava além...
A vida , as pessoas são assim!
ALgumas não! Não ela!
Precisava ser.
Levantou aquela manhã, olhou seus olhos um tanto cansados no espelho... e ainda estava lá...
(...) vontade de benzer-se pedindo proteção, Afasta de mim, Deus...
terça-feira, 1 de junho de 2010
sobre Desafetos e Despedidas...
VI a mensagem do texto novo da MArla...
... Engraçado estes encontros de poesia, de alma.. de coração.
De alguma forma , sem entender... sem saber. .. este texto já morava em mim... tinha endereço.
E eu ando em silêncio.
Ando Perdida.
Não porque não sei pra onde ir...
Algumas pessoas nasceram predestinadas a viverem assim... eu sabia de tudo. NUnca me enganei.
Fui valente o suficiente ... e tive amor o bastante para não arrepender nem olhar pra trás.
MAs os anos pesam demais no coração.... e o vento é frio...
Quando saí do consultório médico, e do coração feito em pedaços, fui prestar atenção.. em todos os sinais e respostas a volta.
EU consegui sobreviver no passado, encontrei mão estendida... me foi dado um coração... e eu o fiz meu...
Agora acho que não consigo mais... Porque eu Simplesmente não tenho um motivo se quer.
Entendi que daqui pra frente é Despedir!
É despedida.
Emprestando a tudo uma cor diferente... um toque de cetim...
um punhado de Vento...
Em cada canto , um lamento.
Da linda Marla, desatando intrincados Nós::
... Engraçado estes encontros de poesia, de alma.. de coração.
De alguma forma , sem entender... sem saber. .. este texto já morava em mim... tinha endereço.
E eu ando em silêncio.
Ando Perdida.
Não porque não sei pra onde ir...
Algumas pessoas nasceram predestinadas a viverem assim... eu sabia de tudo. NUnca me enganei.
Fui valente o suficiente ... e tive amor o bastante para não arrepender nem olhar pra trás.
MAs os anos pesam demais no coração.... e o vento é frio...
Quando saí do consultório médico, e do coração feito em pedaços, fui prestar atenção.. em todos os sinais e respostas a volta.
EU consegui sobreviver no passado, encontrei mão estendida... me foi dado um coração... e eu o fiz meu...
Agora acho que não consigo mais... Porque eu Simplesmente não tenho um motivo se quer.
Entendi que daqui pra frente é Despedir!
É despedida.
Emprestando a tudo uma cor diferente... um toque de cetim...
um punhado de Vento...
Em cada canto , um lamento.
Da linda Marla, desatando intrincados Nós::
Não quero mais o beijo molhado, o derretimento castanho dos olhos, o sorriso sacana. Não creio mais em tardes febris ou saudades desesperadas. Tudo é verbo, verso, papo furado. Tudo pode ser rasgado, cuspido, jogado no lixo. Obra prima perdida em rasuras. Poesia sem calor de corpo. Paixão destituída de loucura. Fogo morto.
Não quero mais o encaixe de tudo, o perfume da pele, a carícia dos dedos. Não creio mais em noites acesas, em madrugadas intensas, em manhãs de luxúria. Tudo é fome e desejo de saciedade. Tudo é espera por sabores novos. Displicência de afetos, perda de tempo, sexo sem vontade.
Não quero mais sensações de eternidade, abraços pra sempre, sussurros de amor. Creio em frases desacompanhadas, em palavras cruas, textos sem autor. Tudo é falta de comprometimento, tudo é vácuo, vazio, relento. Tudo é falta de rumo, um peito apertado, tristeza sem dor...
*
Marla de Queiroz
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