O dia já ía longo, quando sentou na velha cadeira de madeira junto à janela baixa. Sem se inclinar no parapeito ou sequer se chegar muito ao vidro, do lugar onde se sentava via apenas o azul do céu e também uma pequena parcela do topo da folhagem das árvores.
A vidraça estava semi-aberta e por isso o som entrava como fazendo parte do corpo que, sem querer, ondulava ao som da quase-melodia.
E ELa semi-cerrava os olhos e fingia não saber que som ouvia.
Eram as folhas roçantes, um som de fundo indefinível, as vozes que se misturavam até não parecerem mais vozes. As que se aproximavam. As que se afastavam.
Os choros e os cantos, os cantos e os choros.
Juntos.
Até não serem mais tristeza ou alegria. Rancor ou mágoa. Ou sequer arrependimento ou culpa.
Não eram nenhum e, contudo, todos simultaneamente.
Com os olhos semi-cerrados, imaginava uma nova língua, inventava palavras, sons e entoações. Transformava o som metálico em instrumento musical.
Gostava de compartimentar a realidade. Ou então misturá-la até se tornar indecifrável.
As pálpebras ficaram mais pesadas como se fossem puxadas pelo sol que insistia em descair na direcção do horizonte.
E com eles, todo o corpo que vergava mais um pouco na direção da janela.
O sono vencia, as pálpebras desciam.
E ela à janela preferiu adormecer.
Preferiu sonhar e amanhã continuar a imaginar, a inventar músicas indecifráveis da realidade que não o era.
A menina inventava, porque não compreendia.
Não compreendia como se podia morrer como se nunca se tivesse vivido.
* * *
Vesti Como luva... as palavras da amiga..
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
o mEniNo AzuL
A Nature Boy...
Adormeço por ti...
e me esqueço... todos os dias... ao redor.
A porta entreaberta... a tarde solta.. a manhã ainda fria de outono.
Coisinha selvagem aprisionada em gaiola.... aquela melancolia que a descreve.. mas que não se sabe de onde vem.. nem onde se Fia.
E o menino azul ... vai refazendo seu caminho.
Enquanto ela dança com o vento... e leva o caos da sua própria respiração...
... seu coração esquecendo como bater.
Verdade que se desnuda e que se refugia.
Quem dera se lá pudesse viver... Tempo sem tempo,
.... espaço sem Lugar.
O Tempo vai e vem.. e no espaço que sonho, não permaneço ....
Espreito, no intervalo da noite,
O meu cavalo com asas,
Lá, nesse eterno lugar,
onde afinal vou... e me deixo ficar.
Então deixo a porta entreaberta....
e ADormeço... adormeço por ti.
Penso que gostaria de ter tido mais tempo, passeado mais, viajado mais, conhecido mais lugares... ter estudado mais, conversado mais, convivido mais, dançado mais.
Gostaria de ter ajudado mais, de ter tido mais tempo para mim, de ter amado mais e de ter sido amada mais. Gostava de ter lido mais livros, beijado mais namorados, sido menos tímida, menos pessimista, menos agressiva.
Gostaria de ter cheirado mais flores, abraçado mais pessoas, ter sido menos bem comportada.
Gostava de ter pensado tanto, gostava de ter sentido mais.
Fez uma lista de tudo o que gostava de ter feito mais e menos na sua vida.
Assim como uma lista de supermercado, diferindo desta pelo fato de não poder comprar um passado diferente.
No entanto, embora ainda não saiba, não DESEJO realmente ter feito todas essas coisas... DESEJO poder desejá-lo agora.
O que fez enquanto não fez tudo o que supostamente desejava?
Apenas Construíu continuamente infindáveis listas como esta... e todo este tempo...
... agora era isto?
Adormecida... esperando... ESperando.
pelo menino Azul... que não sabe ao certo de onde vem nem pra onde vai...
Que não sabe se é príncipe...se é só estrela... se é só Menino...
... que não deseja nem gostaria...
Menino Azul... Nature Boy....
Adormeço por ti...
e me esqueço... todos os dias... ao redor.
A porta entreaberta... a tarde solta.. a manhã ainda fria de outono.
Coisinha selvagem aprisionada em gaiola.... aquela melancolia que a descreve.. mas que não se sabe de onde vem.. nem onde se Fia.
E o menino azul ... vai refazendo seu caminho.
Enquanto ela dança com o vento... e leva o caos da sua própria respiração...
... seu coração esquecendo como bater.
Verdade que se desnuda e que se refugia.
Quem dera se lá pudesse viver... Tempo sem tempo,
.... espaço sem Lugar.
O Tempo vai e vem.. e no espaço que sonho, não permaneço ....
Espreito, no intervalo da noite,
O meu cavalo com asas,
Lá, nesse eterno lugar,
onde afinal vou... e me deixo ficar.
Então deixo a porta entreaberta....
e ADormeço... adormeço por ti.
Penso que gostaria de ter tido mais tempo, passeado mais, viajado mais, conhecido mais lugares... ter estudado mais, conversado mais, convivido mais, dançado mais.
Gostaria de ter ajudado mais, de ter tido mais tempo para mim, de ter amado mais e de ter sido amada mais. Gostava de ter lido mais livros, beijado mais namorados, sido menos tímida, menos pessimista, menos agressiva.
Gostaria de ter cheirado mais flores, abraçado mais pessoas, ter sido menos bem comportada.
Gostava de ter pensado tanto, gostava de ter sentido mais.
Fez uma lista de tudo o que gostava de ter feito mais e menos na sua vida.
Assim como uma lista de supermercado, diferindo desta pelo fato de não poder comprar um passado diferente.
No entanto, embora ainda não saiba, não DESEJO realmente ter feito todas essas coisas... DESEJO poder desejá-lo agora.
O que fez enquanto não fez tudo o que supostamente desejava?
Apenas Construíu continuamente infindáveis listas como esta... e todo este tempo...
... agora era isto?
Adormecida... esperando... ESperando.
pelo menino Azul... que não sabe ao certo de onde vem nem pra onde vai...
Que não sabe se é príncipe...se é só estrela... se é só Menino...
... que não deseja nem gostaria...
Menino Azul... Nature Boy....
sexta-feira, 12 de março de 2010
Desfaz o tempo!
Não deveria ser tão difícil... ao menos não tão complicado.
Entendia desde o início , qual era o seu papel.
Qual seria o tratamento...
Não tinha mais esta impressão funda que a vida lhe coroaria de rosas ou flor de laranja.
Não!
Agora era outra.
Era sozinha...
TOda ela.
OS cuidados não eram mais seus... não eram sobre ela...
SEntiu se boba.
Sentiu tão pequena... tão pequena quando se viu no espelho.
Como sentia falta de um grande amigo.
Daquele amigo... o melhor de todos.
Que por tantas vezes lhe socorreu... Correu um minuto adiantado... só pra amparar sua queda.
e ela caía.
Teimosa... turrona. Ariana.
Mas agora... agora sim....
Era capaz de dar valor ao que perdera.
ERa capaz de dizer com propriedade... da ausência de pessoas... de detalhes...
destas coisinhas... da vida
E tudo latejava... era o rosto todo esbofeteado...
Olhava no espelho... que Feiúra, Meu DEus!!! Que Acidente!!!!!
O aniversário chegando.
E ela simplesmente não sabia mais dizer... onde, exatamente, estava.
Se quer pra onde iria.
PArecia tudo sem sentido naquele instante pra ela...
e dentro dela, naquele instante o tempo parou.
AChava tudo bobo... achava tudo imaturo...
O coração batia na garganta.
Eram quase 4 da manhã... quando finalmente fechou os olhos e desejou com toda alma que tinha...
Que as horas voltassem... que o tempo voltasse.... que as horas voltassem... todas.... uma a uma...
que as horas voltassem... depressa...
Entendia desde o início , qual era o seu papel.
Qual seria o tratamento...
Não tinha mais esta impressão funda que a vida lhe coroaria de rosas ou flor de laranja.
Não!
Agora era outra.
Era sozinha...
TOda ela.
OS cuidados não eram mais seus... não eram sobre ela...
SEntiu se boba.
Sentiu tão pequena... tão pequena quando se viu no espelho.
Como sentia falta de um grande amigo.
Daquele amigo... o melhor de todos.
Que por tantas vezes lhe socorreu... Correu um minuto adiantado... só pra amparar sua queda.
e ela caía.
Teimosa... turrona. Ariana.
Mas agora... agora sim....
Era capaz de dar valor ao que perdera.
ERa capaz de dizer com propriedade... da ausência de pessoas... de detalhes...
destas coisinhas... da vida
E tudo latejava... era o rosto todo esbofeteado...
Olhava no espelho... que Feiúra, Meu DEus!!! Que Acidente!!!!!
O aniversário chegando.
E ela simplesmente não sabia mais dizer... onde, exatamente, estava.
Se quer pra onde iria.
PArecia tudo sem sentido naquele instante pra ela...
e dentro dela, naquele instante o tempo parou.
AChava tudo bobo... achava tudo imaturo...
O coração batia na garganta.
Eram quase 4 da manhã... quando finalmente fechou os olhos e desejou com toda alma que tinha...
Que as horas voltassem... que o tempo voltasse.... que as horas voltassem... todas.... uma a uma...
que as horas voltassem... depressa...
domingo, 21 de fevereiro de 2010
qUem me CoMPRa um JArdim com Flores???????
Em um sonho azul então encontrada... havia nela algo de pássaro.
Já dissera isto antes.
Era sua casa toda limpa, perfumada. Aquele frescor de manhãs,
e manhãs de primavera.... passarinhos na janela..ausência de nuvens...
Suas pedras, suas velas... as fotos na sala... os quadros no escritório.
Gostava de andar pela casa... assim quando amanhecia ...
Amadurecia o texto... enquanto calava a vida...
Parava a cidade... fazia chover... se entristecia...
REsolveu cortar o cabelo... se pôs a esperar que a cidade despertasse.... BEijou sua gata.... pegou sua bolsa azul turquesa... e saiu.
DIrigia pela cidade bem devagar... as mesmas pessoas, os mesmos lugares... nada mais fazia sentido...
ERgueu os ombros endireitou a coluna... Postura.
Como andava impaciente. Como andava cansado seu coração ...
CAnsadas de pessoas afetadas... cansada de banalidades...
Fechava os punhos mas escapava entre seus dedos.
Aquela areia fina.. sua vida ...
Respirou bem fundo e resolveu aceitar. Mais uma vez precisou corrigir a própria postura.
Suas vidas agora eram distintas.
Perdera sua grande amiga.... seu coração... mas o que mais podia fazer.
Restava agora decidir qual estrada seguiria... para onde....
Para onde iria??
Desgarrava do tempo.
SENtada diante do espelho, perdida entre tantas vozes, sorria.
Era educada... era querida.
Mas vagava errante naquela imensidão de caminhos... perdida dentro dela.
Já dissera isto antes.
Era sua casa toda limpa, perfumada. Aquele frescor de manhãs,
e manhãs de primavera.... passarinhos na janela..ausência de nuvens...
Suas pedras, suas velas... as fotos na sala... os quadros no escritório.
Gostava de andar pela casa... assim quando amanhecia ...
Amadurecia o texto... enquanto calava a vida...
Parava a cidade... fazia chover... se entristecia...
REsolveu cortar o cabelo... se pôs a esperar que a cidade despertasse.... BEijou sua gata.... pegou sua bolsa azul turquesa... e saiu.
DIrigia pela cidade bem devagar... as mesmas pessoas, os mesmos lugares... nada mais fazia sentido...
ERgueu os ombros endireitou a coluna... Postura.
Como andava impaciente. Como andava cansado seu coração ...
CAnsadas de pessoas afetadas... cansada de banalidades...
Fechava os punhos mas escapava entre seus dedos.
Aquela areia fina.. sua vida ...
Respirou bem fundo e resolveu aceitar. Mais uma vez precisou corrigir a própria postura.
Suas vidas agora eram distintas.
Perdera sua grande amiga.... seu coração... mas o que mais podia fazer.
Restava agora decidir qual estrada seguiria... para onde....
Para onde iria??
Desgarrava do tempo.
SENtada diante do espelho, perdida entre tantas vozes, sorria.
Era educada... era querida.
Mas vagava errante naquela imensidão de caminhos... perdida dentro dela.
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