terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Floração do DiA.

 E aquele Suave esplendor de pétala de rosa que vertia dela.

Bem o sabia e sentia, parada nas escadarias junto à janela que aberta se estendia. 
Por onde entravam batidas de chuva, barulho de carro.
 Entravam, pensou, sentindo-se como a Brisa, o rumo, a FLoração do dia.
FOra da casa, além da janela. além do seu Corpo.
Exaurida agora.
A vela queimara até a metade.

Adorável quando menina, o tempo era que ela temia.
O tempo...  como num quadrante impassível de pedra.
Como ano após ano, a sua parte diminuía.

O FLuir da vida.
Dilatava o que ainda restava, Absorvia as COres, o sabor , o tom da existência.
E às vezes Sentia, enquanto hesitava parada um momento à entrada da sala, uma estranha sensação, como a que poderia sentir um nadador antes de mergulhar.

Enquanto o mar escurece e Enrosca seus pés... e as ondas que ameaçam rebentar...
... Mas apenas deslizam  à superfície branca... Apagando a carta do Vento.
Envolve a distância , oculta conchas __  Devolvendo-as de novo, INcrustadas de Pérolas. 

Começou a subir lentamente a escada. com a palma no corrimão, como se tivesse deixado uma reunião.
Como se fechado a porta e do lado de fora esperasse.
então
Buscou o ar com avidez aflita.
Era culpa do noticiário horrível.... notícias de pessoas insanas. De maldade absurda. 
De coração Leviano. GEnte capaz de dissimular, invadir... Que se recusa a deixar a vida viver.
Espreita buscando qualquer coisa. TOdos os dias.
AO redor. ao redor.. ao redor.
Tão estranho este comportamento obsessivo. Tão estranho esta coisa abusiva.
É o DeSEspeRO que faz isto.
DESEspero de jamais ter sido. DEsespero de ter passado. 
E o passado morrido.

Mas acredito que  tudo teve que ser assim.Ora, é DEus quem escolhe as pessoas. 
Quem faz a hora.
 REspeite e vá embora.... SIga... Siga pelo caminho mais seguro.. pela estrada mais tranquila...
Limpe o coração do Desespero. Como quem precisa encontrar ainda sua verdadeira história.
De forma Limpa, Honesta. De forma muito natural.

Minha mãe sempre me diz __ Marília você tem para-raio para gente maluca e invejosa!! 
Insistindo no banho de sal grosso. ( Acho graça sempre disto!!)
Não que ela acreditasse mas __ MAl não Há de fazer!!!! 
<<é ... talvez eu faça mesmo isto!! >>

É verdade, ando um pouco abatida. 
Febre que insiste o dia todo em me acompanhar. 
Talvez por isto eu tenha me colocado a sonhar... e lembrar de dias.. de Leveza.
De pétala.
A textura do som envolvendo o corpo... o vento nos cabelos... 
Aquela CalMA 
De quem Ama ...
  ....de quem já caminhou tantos espaços...
Viu tanta coisa.... ouviu tanta coisa....
... de quem está Milhas e milhas e milhas distante.




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ao Tempo.


Um dia ela respirou bem fundo , fechou os olhos verdes de gratidão mais límpidos,
Com o coração sonhava e pedia baixinho:

...Que encantamento e beleza
fossem brisa e calafrio, ventania de Cabelos esvoaçantes.
Laços e laços de fita de cetim.
E habitassem  em volta dela.. todos os dias... enquanto vivesse.
... Que o delicioso e bom
não tivessem esta escassa duração
DAquilo que observava por onde andava


- fogos de artifício, flor,
nuvem,  bolha de sabão,
riso de criança, olhar de mulher no espelho,
e tantas
outras coisas fabulosas
que, mal se descobrem, somem –
disso, com pena, Ela ainda menina já sabia.

se perguntava porque, Ao que era permanente e fixo
não se  queria tanto bem: ::
gemas de gélido fogo,
ouros de pesado brilho,
Estrelas
que  de tão altas não parecem
transitórias como nós
e não calam fundo na alma.
Não: parece que o melhor,
mais digno de amor, se inclina
sempre para o fim, beirando a morte.

E aquilo que mais lhe  encantava  –
... Notas de música, que ao nascerem
já fogem, se desvanecem –
são brisas, são águas,
Caça- feridas de leve mágoa,
que nem pelo tempo de uma
batida de coração
deixam-se reter, prender.
Era a dança na Ponta do pé!
E de tanto dançar ela já tinha os pés calejados..
Gostava de sentir a terra... o chão debaixo dos seus pés.
Som após som, mal se tocam,
já se esvaem, vão-se embora.
Nosso coração assim
leal e fraternalmente
se entrega ao fugaz, ao vivo,
não ao seguro e durável.
Não era  o permanente que lhe cansava
- rochas, mundo estelar, jóias –


Mas pensava que àqueles de puro coração,
 Almas de ar e bolhas de sabão,
cingidos ao tempo, efêmeros
a quem o orvalho na rosa,
o idílio de um passarinho,
o fim de um painel de nuvens,
fulgor de neve,
arco-íris,
borboleta que esvoaça,
eco de riso que só
De passagem  alcança,
pode valer uma festa
ou razão de dor.
Amava
aquilo que era semelhante à ela,
Todas estas coisas de Leveza e Encantamento de fada.
Todas aquelas alianças , emblemas.
Flores e flores de romance.
Broto do broto , raiz da raiz.
Tinha aquele dom desde menina
...de entender Os Rabiscos  que o vento lhe deixava na areia.